“Hoje, aos 91 anos, a memória me falha, escorrega, mas, no fundo dela, ainda encontro as alegrias que vivi no Minas Tênis Clube.”

Marlene Mascarenhas Cezarini

91 anos

O tempo é um rio: corre, leva, mas também traz – saudades e lembranças que resistem. Hoje, aos 91 anos, a memória me falha, escorrega, mas, no fundo dela, ainda encontro as alegrias que vivi no Minas Tênis Clube. E elas são como um abraço de um velho amigo.

Comecei a frequentar o Clube em 1935, quando tinha apenas um ano de vida. Meu pai, Alexandre Diniz Mascarenhas, foi um dos fundadores; e meu irmão, Pacífico Mascarenhas, marcou o Minas com cultura e tradição, sendo diretor social e conselheiro. Eles ajudaram a erguer um presente que o tempo não desfaz: um legado que passa de geração em geração, como herança de saudade e afeto.

Nos meus anos mais leves, dirigia meu carro para chegar ao Clube todos os dias, às sete da manhã. Ia fazer ginástica e viver um momento só meu – de saúde, alegria e completa paz. Quando meus cinco filhos cresceram um pouco, os levava comigo, e compartilhávamos a felicidade de fazer parte de algo tão grandioso.

Pratiquei yoga, joguei vôlei, dancei em muitas festas. Meu marido, Paulo Pedro de Almeida Cezarini, era nadador e, curiosamente, eu nunca consegui afundar a cabeça na água. Um desafio que hoje acho graça! Meus filhos fizeram aulas e, agora, é a vez dos meus 11 netos, 12 bisnetos, e sobrinhos-netos carregarem o Minas em suas histórias.

Ele foi minha ponte para o mundo. Como uma das primeiras integrantes do Cabeça de Prata, viajei a muitos países, fiz amigos e vivi momentos inesquecíveis. Eu era a intérprete do grupo, falando inglês, francês, italiano, alemão e espanhol. Não me lembro mais de todos os lugares por onde estive, mas guardo as fotografias e, principalmente, o sentimento de ter vivido.

Até a pandemia, eu ainda dirigia para ir ao Minas. Hoje, caminho perto de casa, e as boas lembranças acompanham meus passos: as manhãs de ginástica, as tentativas de aprender a nadar, os filhos crescendo, as viagens mundo afora e os sorrisos compartilhados com os amigos que já se foram. Saudade é isso!

Agora, com os meus 91 anos, vejo o Minas Tênis Clube celebrar os seus 90. Crescemos juntos, somos companheiros de vida. E, assim como eu, ele segue firme, repleto de história, lembranças e o desejo de continuar. O tempo pode correr, mas a memória do que vivemos juntos ficará para sempre, como um legado que o coração jamais esquece.”