“E vejo o Minas atento às necessidades da cidade e preocupado em tornar a arte acessível, com respeito às políticas culturais e abrindo portas para públicos diversos.”

Lívia Oliveira Itaborahy

37 anos, cantora/professora e pesquisadora de canto e performance da música popular latino-americana

Uma frase dita por uma espectadora permanece viva na minha memória. Ela me contou, emocionada, que havia pegado apenas um ônibus, descido na porta do teatro e assistido a um espetáculo de enorme qualidade por um valor que cabia no seu bolso. Era algo simples, mas profundamente significativo. Naquele dia, eu também estava na plateia e percebi com ainda mais clareza a importância do Teatro do Minas na democratização da arte.

Minha relação com o Clube sempre passou pela cultura. Como cantora, professora e pesquisadora, frequento o teatro, o cinema e as exposições. E vejo o Minas atento às necessidades da cidade e preocupado em tornar a arte acessível, com respeito às políticas culturais e abrindo portas para públicos diversos. Isso transforma a história de uma cidade.

Guardo com carinho o período em que fui selecionada para participar do Sarau Minas em homenagem a Ivan Lins. Passei a frequentar os ensaios, as reuniões, os corredores, o saguão. Jamais esquecerei da primeira vez que subi ao palco para cantar. Ao chegar ao camarim e encontrar meu nome na porta, senti a dimensão daquele momento. Era simbólico ocupar um espaço por onde passaram tantos grandes artistas.

Também me emociono ao lembrar do dia em que acompanhei um show de Lô Borges dos bastidores, observando tudo de trás da cortina. São momentos como esses que ajudam a construir a identidade afetiva do Minas. Como canto em casamentos, ao longo dos anos, ouvi muitos noivos contarem que se conheceram na piscina do Clube.

Histórias assim me fazem acreditar que o Minas é mais do que sua arquitetura ou suas instalações, ele é onde a gente vive a vida. Um espaço físico que se torna humano porque é preenchido pelos encontros, pelas memórias e pelos afetos de milhares de pessoas. 

Ao celebrar 90 anos, desejo que o Minas siga cuidando do corpo, da mente e das emoções, oferecendo experiências e alegrias que aproximam pessoas, despertam sentimentos e criam lembranças. Que esse circuito de pessoas que faz o Clube acontecer tenha vitalidade para viver pelos próximos cem anos e além.