“Aos poucos, o Minas foi ocupando um espaço na minha vida e acabou se tornando palco de encontros e despedidas que jamais esquecerei.”

Clarisse Reis

37 anos, professora de Língua Portuguesa e frequentadora do Minas

Desde a infância, ouvia falar do Minas Tênis Clube. Minha mãe trabalhava como empregada doméstica na casa de uma família sócia do Clube, onde o patrão dela jogava peteca. Eu era criança e não imaginava que aquele lugar também cruzaria o meu caminho.

Anos depois, já adulta, reencontrei o Minas nas páginas de Roberto Drummond, por meio de Hilda Furacão, que circulava naquele universo que tantas vezes eu tinha ouvido mencionar. Aos poucos, o Minas foi ocupando um espaço na minha vida e acabou se tornando palco de encontros e despedidas que jamais esquecerei.

O mais marcante ocorreu no antigo Teatro Bradesco, quando assisti à peça Eu Te Amo, com Juliana Martins e Sérgio Marone. Sou fã do ator há muitos anos e sonhava em conhecê-lo. Era um sonho da vida inteira e o realizei no Minas. Guardo com carinho a foto que tirei com meu ídolo no hall do teatro. Tempos depois, assisti a um filme dele no cinema do Minas e pedi o totem de papelão que estava exposto no hall. Um funcionário do Clube o guardou para mim.

Foi por causa do Marone que conheci o Clube da Esquina. Descobri Milton Nascimento e Lô Borges, por quem me tornei admiradora. No ano passado, fui convidada para assistir a um show do Lô no Teatro do Minas. Foi emocionante! Naquele dia, não imaginava que me despedia de um artista que marcou a minha vida.

O Clube me deu esses dois momentos: abracei alguém que esperei a vida inteira para conhecer e também me despedi de alguém que a música me ensinou a amar. O mesmo lugar acolheu o encontro e a despedida.

O Minas é fundamental para a sociedade. No esporte, muitos jovens, principalmente das periferias, encontram oportunidades que talvez nunca chegassem até eles de outra forma. Como professora e moradora da periferia, sei o quanto isso pode ser uma ponte para futuros diferentes e uma proteção a eles. Vejo essa mesma força na cultura. Espaços acessíveis, espetáculos, música, arte e encontros também têm o poder de resgatar vidas.

Desejo que o Clube continue sendo esse lugar onde vidas possam ser transformadas pelo esporte, pela cultura e pelos encontros que mudam tudo. Vida longa ao Minas!