“O carinho entre os Sabino e o Minas sempre foi mútuo. Se nossa história encontrou abrigo no Clube, o Minas também ocupa um lugar especial na trajetória da nossa família.”

Bernardo Sabino

63 anos, produtor cultural

Naquele dia, foi como se meu pai, Fernando Sabino, e meu tio, Gerson Sabino, voltassem juntos ao Minas Tênis Clube. Os dois irmãos, que cultivaram uma relação tão especial com o Clube, foram mais uma vez homenageados por ele. Tudo isso aconteceu em maio deste ano, na apresentação da peça Cartas a um Jovem Escritor, no Teatro do Minas. Foi um encontro entre memória, afeto e gratidão.

Meu pai cultivou uma ligação profunda com o Minas. Foi nadador, atleta, recordista e carregou essa história consigo por toda a vida. Gostava de se vangloriar, com o humor, que um de seus recordes jamais seria superado, porque a prova simplesmente deixou de existir. Na literatura dele, o Minas também deixou marcas. Está presente na autobiografia O Tabuleiro de Damas: trajetória do menino ao homem feito e aparece em Encontro Marcado.

Meu tio Gerson, por sua vez, ajudou a construir parte da identidade esportiva do Minas. Com estudo, dedicação e visão de futuro, estruturou o departamento de esportes do Clube, deixando uma contribuição que atravessou gerações. Ouvir o presidente Carlos Henrique Martins Teixeira reconhecer publicamente esse legado, na noite da peça, foi um momento de enorme emoção para toda a nossa família.

O carinho entre os Sabino e o Minas sempre foi mútuo. Se nossa história encontrou abrigo no Clube, o Minas também ocupa um lugar especial na trajetória da nossa família. Hoje, essa relação continua se renovando por meio da cultura, das homenagens e dos projetos que seguimos construindo juntos.

Talvez por isso eu veja o Minas com os olhos do afeto. Mas não é apenas a história que me encanta. Ao trazer a peça para o Centro Cultural Unimed-BH Minas, fiquei impressionado com a competência e o comprometimento de todos os profissionais envolvidos. O que exigiria dias de trabalho foi realizado em poucas horas, com dedicação exemplar.

Sinto-me acolhido pela diretoria, especialmente por Carlos Henrique e Kouros Monadjemi, o diretor José Carlos Machado Vieira, pelo pelos colaboradores e por todos que mantêm vivo esse espírito de excelência. O Minas é uma potência esportiva e cultural, reconhecida nacionalmente. Mas sua maior grandeza talvez esteja na capacidade de valorizar pessoas e histórias, preservando a memória daqueles que ajudaram a construir sua trajetória. É isso que faz com que tantos de nós continuemos nos sentindo parte desta casa.