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Proteção em alta no verão

Cuidados com a pele devem ser incorporados à rotina diária para prevenir o câncer de pele

Mesmo com as mudanças provocadas em nossas rotinas pela pandemia do novo coronavírus, o verão está aí e nos convida diariamente para as atividades ao ar livre, como nadar, caminhar, andar de bike e outras. Mas, é preciso lembrar que, mesmo nos momentos de lazer, os cuidados com a saúde da  pele são indispensáveis. A dermatologista Daniela Rezende Neves destaca a importância da vitamina D, produzida pelo nosso corpo quando tomamos sol, uma vez que ela promove o aumento da imunidade e a prevenção de doenças como diabetes e doenças autoimunes. Mas, segundo a especialista, é necessário tomar todos os cuidados com a saúde da pele. “É importante ficar atento aos horários em que você vai se expor ao sol, mesmo que seja em casa, e todos devem usar o protetor solar diariamente, para evitar problemas de pele e o envelhecimento precoce”, ressalta a especialista.

Daniela Resende tem 11 anos de profissão, é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, já atuou nos atendimentos dermatológicos nos hospitais Santa Casa, Biocor e Materdei e, atualmente, atende em consultório particular. “Durante o verão, os cuidados com a pele devem ser reforçados. É necessário usar protetor solar diariamente, que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha fator de proteção solar (FPS) de número 30, no mínimo e evitar a exposição solar entre 10h e 16h, em que a radiação solar é mais forte”, alerta a médica.  Saiba mais na entrevista a seguir.

Quais são os cuidados que as pessoas devem ter para evitar problemas de pele, principalmente agora, no verão?

A pele é o maior órgão do corpo humano e está sempre exposta aos agentes da natureza, como a radiação solar e a interferência da umidade relativa do ar. Por isso, é tão importante a fotoproteção, que é o conjunto de medidas direcionadas com o objetivo de reduzir a exposição ao sol e prevenir os danos dessa exposição. Somente com os cuidados necessários é possível prevenir o fotoenvelhecimento, que é o envelhecimento prematuro da pele causado pela exposição repetida à radiação,  e o câncer da  pele. Portanto, anote aí: use o protetor solar associado a outros meios de proteção, como bonés, chapéus ou viseiras, quando for se expor ao sol em praias, piscinas, ou para praticar esportes ao ar livre. Além disso, prefira os horários em que a radiação UV seja menor.

O fato de o nosso país ser de clima tropical contribui para o grande número de casos de câncer de pele?

Sim, sem dúvida! Por ser um país tropical, o Brasil recebe raios ultravioletas com maior intensidade em praticamente todo o ano. Atividades ao ar livre e os banhos em praias e piscinas são bem mais frequentes em países tropicais, e a proteção inadequada da pele acaba contribuindo para a maior taxa de câncer de pele. Durante o verão, os cuidados com a pele devem ser reforçados. É necessário usar protetor solar diariamente, que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha fator de proteção solar (FPS) de número 30, no mínimo e evitar a exposição solar entre 10h e 16h, em que a radiação solar é mais forte.                                      

Existe um grupo de risco para a doença?

Sim. Pessoas de pele clara são mais sensíveis à ação dos raios solares. Pessoas com história pessoal ou familiar de câncer de pele ou com determinadas doenças de pele (genéticas, por exemplo) também são mais atingidas. Vale um alerta! Pessoas negras e pardas também podem ter câncer de pele, especialmente o melanoma que é o de maior gravidade. Portanto, o acompanhamento dermatológico anual para diagnóstico precoce é indicado para todas as raças e idades.

Qual é a incidência do câncer de pele no Brasil atualmente?

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o INCA, em 2020 foram registrados 176.930 casos de câncer de pele no Brasil, sendo 83.770 homens e 93.160 mulheres. Em nosso país, o câncer de pele não melanoma é o mais frequente e corresponde a cerca de 30% dos tumores malignos registrados. Esse é o tipo de câncer que se apresenta nas partes do corpo que ficam mais expostas ao sol, como rosto, pescoço, orelhas e braços. Na maior parte das ocorrências, se apresenta com manchas na pele que podem, ou não, arder, coçar, descamar e sangrar. O câncer melanoma, por sua vez, pode aparecer em qualquer parte do corpo, na forma de manchas, pintas ou sinais. Em pessoas de pele negra, é mais comum nas áreas como palmas das mãos e plantas dos pés. 

Quais são os primeiros sinais de atenção para o câncer de pele?

O conhecimento do próprio corpo é de extrema importância. Temos que conhecer nossa pele. Caso perceba lesões com mais de uma cor, com bordas irregulares, crescimento rápido, feridas que não cicatrizam, ou algum sinal que te chame atenção, é indicado marcar uma consulta com o médico dermatologista. Uma forma simples de perceber se alguma lesão pode ser câncer de pele é o "sinal do patinho feio", ou seja, aquela lesão diferente, que destoa das demais. E é necessário ficar atento a toda extensão da pele e não apenas àquelas partes que ficam expostas ao sol. 

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico pode ser apenas clínico  e dermatoscópico, ou pode ser feito com a ajuda de uma biópsia,  para estudo anátomo-patológico. No caso de uma lesão suspeita, retiramos um fragmento e enviamos a amostra para o médico patologista. Com o resultado em mãos, planejamos o melhor tratamento.

Como é feito o tratamento do câncer de pele atualmente?

O tratamento dependerá do tipo de câncer de pele, da gravidade e do local de acometimento. Felizmente, a ciência avança a passos largos e temos disponíveis medicações que aumentam a chance de cura e a sobrevida. O tratamento pode ser cirúrgico, com medicamentos tópicos ou sistêmicos ou com crioterapia  em casos selecionados. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior a taxa de sucesso, por isso, não perca tempo. Procure um dermatologista para se orientar e aproveite a estação mais ensolarada do ano!

 


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