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Prontos para ajudar

Grupo Ações Pontuais atua como suporte aos projetos do Minas Solidário

A inspiração para desenvolver algum trabalho voluntário pode surgir de várias formas, inclusive, pode ser motivada por uma experiência pessoal. Foi assim que começou o serviço voluntário na vida da conselheira minastenista Célia Maria de Oliveira, a Celinha. Ela é líder do Grupo Ações Pontuais do Programa Minas Tênis Solidário e coordena o projeto Esporte Rosa, que conscientiza as mulheres sobre a importância da realização da mamografia, exame que detecta o câncer de mama. “Vivenciar determinada situação nos mostra o tamanho da nossa força e o quão útil podemos ser para fortalecer o nosso próximo”, afirma.
 
Diagnosticada com a doença em 2005, Celinha percebeu que as mulheres em tratamento demonstravam enorme frustração e ficavam muito abaladas. Muitas encaravam a situação como o fim da vida e ficavam sem perspectiva. “Na época, a mulher saía da cirurgia sem mama, sem a reconstrução. Elas ficavam extremamente chateadas com isso, pois atingia a todas na vaidade, se sentiam sem dignidade. Eu me aproximava, sobretudo das mulheres que faziam o tratamento pelo SUS e ficavam ali o dia inteiro no hospital. Conversava com elas, levava um lanche e procurava mostrar que a vida não acabava ali, que elas poderiam continuar fazendo tudo o que quisessem”, conta Celinha, que é empresária, tem mais de 30 anos de carreira no ramo da publicidade e, atualmente, representa, em Minas Gerais, vários veículos de comunicação de circulação nacional.
 
A minastenista ressalta que ajudar o próximo lhe proporciona enorme satisfação pessoal. “Fico muito feliz em saber que a minha atuação faz a diferença na vida do outro. Sempre fui uma pessoa de atitude, de chegar, ver o problema e resolvê-lo. Por isso, estou no Grupo de Ações Pontuais. Reúno as pessoas para participar das festas, das arrecadações e adoro participar, porque nos divertimos, junto às pessoas atendidas”, relata. Conheça um pouco mais sobre o grupo e sobre o projeto Esporte Rosa, na entrevista a seguir.
 
 
Minas Tênis Clube: Qual é a sua relação com o trabalho voluntário e quais foram as razões que te levaram a voltar o olhar para as ações sociais?
Célia Maria de Oliveira: Por meio do voluntariado, tenho uma grande oportunidade de exercer meu papel como cidadã. Uma parte essencial dessa condição é desempenhar um papel ativo na transformação da sociedade. É muito bom doar meu tempo para causas sociais relevantes. Comecei a fazer algumas ações quando tive um câncer de mama e tive que me submeter a uma mastectomia. Durante o processo conheci várias mulheres que estavam na mesma situação em que eu me encontrava, porém com a autoestima muito baixa. Foi nesse momento que me despertou a necessidade de ajudar, já que eu estava muito mais fortalecida que elas.
 
MTC: Existe uma periodicidade de encontros do Grupo Ações Pontuais, ou a programação é feita sob demanda?
CMO: Temos 15 voluntários cadastrados no grupo, mas a nossa programação de atuação é feita de acordo com a solicitação das outras equipes, com antecedência e de acordo com a disponibilidade de cada membro. O Grupo Ações Pontuais age na necessidade do Programa, para atender a qualquer um dos outros grupos. Nós não planejamos, isso é feito pelos gestores.
 
MTC: Como é o trabalho, na prática, dos voluntários que integram o Grupo Ações Pontuais?
CMO: Nossa equipe é, basicamente, pau para toda obra. Por exemplo, existe uma demanda de ação e precisamos de pessoas para fazer uma festa no lar de idosos, ou precisamos de pessoas para recolher doações em determinado local. Então, eu fico responsável por reunir os voluntários disponíveis e vou junto para realizar as atividades, sejam elas quais forem. Eu mobilizo as pessoas do meu grupo e chamo algumas dos outros grupos também. Procuramos levar alegria e entusiasmo às pessoas que visitamos.
 
MTC: Você foi uma das idealizadoras do “Vôlei Rosa”. Como funciona esse projeto e quem pode participar?
CMO: Na época, eu era coordenadora da equipe ouro de vôlei e começamos tímidos. A ideia era só com essa equipe, de mais ou menos 20 mulheres. Mas, o evento foi tomando uma proporção muito bacana. Em outubro, vamos fazer a 7ª edição. Trocamos o nome ano passado para Esporte Rosa, pois houve a adesão de outras modalidades, como a equipe de corrida, de tênis, alunos da academia, entre outros. O projeto é aberto a todas as mulheres que tiverem interesse. Esse grande evento é para a conscientização da importância de realizar a mamografia e da humanização do tratamento. Procuramos levar alto astral e boas energias. Inclusive, no ano passado foi realizado um desfile com as mulheres que foram acometidas pela doença, com a participação de algumas pacientes que fazem tratamento no Hospital Luxemburgo. Com esse evento, procuramos mostrar que a vida não acaba e que as mulheres podem interagir, se divertir e seguir a vida.
 
MTC: Em sua opinião, como o trabalho voluntário pode mudar a vida das pessoas?
CMO: Penso que os ganhos com o voluntariado são abstratos. Por isso que muda nossa vida. A sensação de felicidade é muito grande, quando percebemos que estamos fazendo algo útil. Pode parecer insignificante para nós, mas tem um significado único para quem recebe. Esse carinho é saudável demais, faz bem à nossa saúde física e mental.
 
MTC: Você acredita que ainda existem barreiras a ser vencidas pelas pessoas que desenvolvem algum tipo de trabalho voluntário?
CMO: Acredito, sim. Medo, angústia, preconceitos. São sentimentos que algumas pessoas conseguem superar. Eu tinha medo de ir ao Hospital das Clínicas e a Ana Paula, encarregada do Programa Minas Tênis Solidário, me deu coragem para enfrentar. O desafio não é fácil, mas garanto que o resultado final é extremamente compensador. O importante é superar seus próprios limites, sendo muito importante para nosso crescimento pessoal.

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