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Novembro Azul

Urologista orienta sobre cuidados preventivos e tratamentos contra o câncer de próstata

O mês de novembro chegou e, com ele, chega também a campanha Novembro Azul, campanha que visa orientar e incentivar os homens a procurar o urologista para a realização dos exames de detecção do câncer de próstata, além de conscientizá-los quanto à necessidade dos cuidados com a saúde em geral.  Nesta entrevista, o minastenista João Marcos Neto, urologista há 22 anos, enfatiza a importância da consulta regular ao médico para a descoberta precoce da doença. “O câncer de próstata identificado na fase inicial tem chance de cura bem alta, mas não é perceptível ao homem, sem a orientação de um médico”, afirma o especialista que, na entrevista a seguir, dá mais informações sobre prevenção e tratamento da doença.  

O que é a próstata e qual é a sua função no corpo masculino?

A próstata é uma glândula presente apenas no corpo masculino, que se localiza abaixo da bexiga e na frente do reto. Ela faz parte da parte reprodutiva do homem, pois produz parte do esperma. Além disso, envolve a porção inicial da uretra, que é o canal por onde passa a urina que é armazenada na bexiga para ser eliminada. Tem o formato parecido com o da maçã.

Quais são os primeiros sinais de que existe alguma anormalidade que pode ser associada ao câncer de próstata?

O câncer de próstata na fase inicial, na sua grande maioria, é assintomático. Não dá sinal algum. Aí está o grande problema. Os homens não devem aguardar a manifestação de algum sintoma para procurar o urologista. Isso porque, geralmente, quando ocorre o aparecimento de algum sintoma, o quadro já está bem avançado, e o tratamento é mais complicado. O câncer de próstata identificado na fase inicial tem chance de cura bem alta, mas não é perceptível ao homem, sem a orientação de um médico. Alguns poucos pacientes podem ter sintomas urinários. Mas, quando a doença já está em uma fase avançada, podem aparecer sintomas como sangue na urina, aumento da frequência, ardência ou dificuldade para urinar, e pode ser associado com dores ósseas. Em situações muito avançadas do câncer, o paciente pode apresentar insuficiência renal e, infelizmente, pode ocorrer o óbito.

Como a campanha Novembro Azul ajuda na prevenção do câncer de próstata?

Se o paciente descobre antecipadamente qualquer alteração, é possível um tratamento com chances altas de cura. Por isso, é importante munir os homens com conhecimento sobre o tema para que eles se previnam. Muitas vezes, por questões culturais, emocionais e psicológicas e, principalmente pela falta de informação, o homem deixa de cuidar da saúde. Culturalmente o homem acha que nunca vai adoecer.

Qual é a faixa etária mais comum do aparecimento dos sintomas?

Existem alguns fatores de risco para o câncer de próstata. Entre eles, a idade. Associamos essa doença à terceira idade, pois 75% dos casos de câncer de próstata vão ocorrer em homens acima de 65 anos. Homens negros ou que tenham histórico familiar da doença, principalmente em parentes de primeiro grau, também são consideradas como pacientes em situação de risco. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que pacientes que apresentem esses fatores procurem um urologista a partir de 45 anos, para se orientar sobre a doença. Quem não tem nenhum dos fatores citados acima, deve se consultar com o especialista a partir dos 50 anos de idade, para se informar, realizar os exames e discutir sobre os benefícios da prevenção.

Quais são os principais exames de detecção da doença realizados atualmente?

Temos o exame preventivo realizado nos pacientes no consultório do urologista, que consiste no exame físico com toque retal. É um exame simples, em que a próstata é apalpada para verificar se existe alguma irregularidade e para observar a consistência da glândula. Junto a esse exame é solicitado o exame de sangue para dosar o PSA (antígeno prostático específico), que é uma proteína produzida pela próstata. Infelizmente, há muito receio de alguns homens em procurar o urologista para a realização do toque retal, por questões culturais ou por preconceito. Porém, é esse exame que vai determinar se existe alguma alteração, para que sejam traçadas as formas de tratamento. Caso seja identificada alguma anormalidade nesses exames, damos prosseguimento com a ressonância magnética e, posteriormente, a biopsia de próstata, que é feita através de um ultrassom transretal,  que confirma o diagnóstico de câncer de próstata.

Todos os pacientes precisam refazer esses exames anualmente?

Existe uma periodicidade para a realização dos exames de PSA e toque retal, mas depende de cada paciente. O câncer de próstata não é homogêneo e cada paciente evolui de uma forma. Existem cânceres com agressividade maior, que vão evoluir rapidamente, nos quais temos que fazer um tratamento para interromper essa evolução, e existem aqueles que têm evolução bem lenta e com pouca agressividade, e alguns que não vão interferir na vida do paciente e que a gente nem precisaria tratar, só acompanhar. A partir da consulta em que o paciente vai ao urologista discutir sobre a prevenção, o médico vai personalizar a conduta, baseado no histórico familiar, nos sintomas, nos resultados dos exames básicos e aí, o paciente será orientado sobre os próximos passos.

Como é feito o tratamento do câncer de próstata e quais são as opções existentes para o paciente com diagnóstico positivo?

Quando o câncer está localizado somente na próstata e é diagnosticado precocemente, o tratamento pode ser cirúrgico, por meio da retirada total da próstata, ou pode ser um tratamento de radioterapia, com sessões localizadas de radiação na próstata. Atualmente, temos também a vigilância ativa.  Existem alguns tipos de câncer que são achados casualmente e que podem passar vários anos sem alterar a vida do paciente. Então, nesses casos, fazemos o acompanhamento desse paciente, periodicamente, com repetições de exames para ver se ele está estável e que não está crescendo. Essa é a vigilância ativa. Para o câncer avançado, que é quando sai da próstata, fazemos a cirurgia, radioterapia e tratamentos hormonais, e para aqueles cânceres que já estão bem avançados e que já passaram para outras partes do corpo, realizamos tratamentos hormonais.

Quais são, em sua opinião, as consequências de um início tardio da consulta de rastreamento e tratamento?

O paciente perde a oportunidade de tratar um câncer com mais tranquilidade e, consequentemente, corre o risco de ter sua vida interrompida. O paciente que procura o médico só quando tem algum sintoma, geralmente já esta na fase avançada e as opções para tratar são bem mais invasivas e ele fica com uma qualidade de vida muito ruim. O tratamento de câncer iniciado com antecedência tem chance de cura de até 90%. Então, eu acho que o paciente que deixa de fazer prevenção e de cuidar da saúde vai perder a chance de fazer o tratamento com menos efeitos colaterais.

 


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