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Gestão de dados, tecnologia e organização em prol do voluntariado

Temos em nosso cotidiano, várias oportunidades de dividir conhecimento e experiências. Em casa, aprendemos com nossos pais e familiares; no trabalho, com nossos pares e superiores; no ciclo de amizades, cada um tem um detalhe valoroso a acrescentar. E quando podemos compartilhar nosso aprendizado para melhorar a vida do próximo? Assim tem sido a experiência no trabalho voluntário de Fábio Lima Jardim. Ele é líder do Grupo Administrativo e, desde fevereiro, é um dos membros do Comitê Gestor do Programa Minas Tênis Solidário. De acordo com ele, todas as situações em que podemos nos colocar a serviço do próximo marcam a nossa vida de maneira única.
 
Desde a infância, Fábio Jardim vivenciava as ações solidárias, através de seus pais, que, mesmo tendo uma família numerosa, sempre ajudavam as pessoas mais carentes, fornecendo comida. “Eu estudava e trabalhava para me fazer na vida, mas, sempre que podia, estava ajudando alguém. Sempre participei de campanhas de doação de sangue e faço parte do banco de doação de medula. Quando eu saí da Cemig, em 2010, comecei com um trabalho voluntário na Biblioteca Publica, no setor de braile, que era de auxiliar pessoas com deficiência visual. Minha vida sempre foi cercada de pessoas que desenvolviam algum tipo de ação social. Minha esposa, inclusive, trabalha, há quase 20 anos com voluntariado. Ela é psicanalista e presta atendimentos gratuitos, uma vez por semana”, conta o minastenista.
 
Fã de viagens, trilhas, motos e esportes, Fábio é formado em Ciência da Computação pela UFMG, trabalhou na Cemig por mais de 30 anos, na área de Tecnologia da Informação e na Prodabel, como Gerente de Projetos. Atualmente, aposentado, ele utiliza os conhecimentos que adquiriu ao longo de sua vida acadêmica e profissional, para agregar ao Programa Minas Tênis Solidário, tornando mais fácil o manuseio de dados de instituições e voluntários cadastrados. “O Grupo Administrativo atua como uma rede de apoio à Coordenação do Programa, atualizando as informações dos quase 200 voluntários e verificando quais as instituições estão com mais necessidades, programando as próximas visitas. Em síntese, desenvolver trabalhos voluntários nos aproxima de pessoas valorosas, guerreiras, e que se doam ao máximo para o bem do próximo”, diz. Conheça um pouco mais sobre o Grupo Administrativo na entrevista abaixo. 
 
Minas Tênis Clube: O que te motiva a desenvolver o trabalho voluntário e como começou o seu envolvimento com as ações sociais?
Fábio Lima Jardim: O que mais me motiva é o desejo de retribuir à sociedade o que ela me proporcionou de oportunidades de crescimento, tanto no campo estudantil quanto nos campos de saúde, trabalho e cultura. Minha experiência com voluntariado começou em 2010, quando tive mais tempo para me dedicar ao assunto. Fui voluntário por quase dois anos no setor de braile da Biblioteca Pública, ajudando jovens deficientes visuais em seus estudos preparatórios para concursos públicos. Foi muito bom ajudá-los e, ao mesmo tempo, conhecer um pouco das dificuldades que enfrentavam na preparação para os testes, como por exemplo, no deslocamento casa/local das provas. Outra experiência marcante foi ter ajudado um grupo de nepaleses, logo após o terremoto que ocorreu no Nepal, em abril de 2015, que vitimou mais de oito mil pessoas. Com o apoio de vários amigos e familiares foi possível enviar ajuda financeira, que se transformou em alimentos, para um bom número de famílias. Um amigo, natural de Kathmandu, intermediou o recebimento e a distribuição das doações. Em 2017, apareceu a oportunidade do Minas. Fiz minha inscrição e comecei a desenvolver os trabalhos de cunho administrativo.
 
MTC: Quais são as principais atividades desenvolvidas pelo Grupo Administrativo e como são divididas as funções entre os membros?
FLJ: O Grupo Administrativo executa ações de apoio ao bom funcionamento do Programa Minas Tênis Solidário, destacadamente aquelas relacionadas à gestão dos voluntários e das Instituições assistidas. Também apoia à Coordenação do Programa no planejamento das ações e visitas regulares às instituições. Os voluntários do Grupo Administrativo buscam, de maneira análoga aos demais voluntários, identificar novas oportunidades de atuação do Programa. Eles também participam das ações dos demais grupos, pois isso é uma característica do Programa: a participação do voluntário independe do grupo no qual esteja alocado, pois, a participação é livre e bem-vinda nas ações e projetos de todos os grupos. A divisão de tarefas no grupo depende muito da disponibilidade dos voluntários no momento da ação e leva em consideração a aptidão e interesse de cada voluntário na ação ou projeto.
 
MTC: Você é da área de Tecnologia da Informação e, atualmente, mesmo com todos os avanços tecnológicos, muitas pessoas ainda estão à margem dos conhecimentos de informática. Como você acha que as ações sociais podem atuar para tentar mudar essa realidade?
FLJ: Sem dúvida alguma, através da educação. Neste ponto, a tecnologia da informação é grande facilitadora e pode ser utilizada para aproximar os voluntários que desejam ensinar e as pessoas que necessitam aprender. Entretanto, sabemos que recursos tecnológicos são escassos para a camada menos assistida da sociedade e as ações sociais são necessárias. Por exemplo, no mês passado o Programa Minas Tênis Solidário doou mais de 40 computadores em funcionamento para uma instituição parceira, que vai preparar essas máquinas e doar para estudantes carentes que estão enfrentando dificuldades nesse momento de isolamento social.
 
MTC: Quais são, em sua opinião, os maiores desafios enfrentados pelas pessoas que se disponibilizam a trabalhar com o voluntariado?
FLJ: São inúmeras as possibilidades de ações e projetos e a disponibilidade de tempo é um grande limitador. Entretanto, acho que o maior desafio para os voluntários é buscar o equilíbrio entre a necessidade das diversas Instituições e pessoas assistidas com o desejo de ajudar. Nem sempre é possível atender. Dizer não, frente às necessidades, pode trazer frustração. No momento atual, devido à pandemia, o desafio será de adaptação à nova realidade da sociedade, num ambiente onde as precauções sanitárias passaram a ser uma constante.
 
MTC: Atualmente, você foi convidado a fazer parte do Comitê Gestor do Programa Minas Tênis Solidário. Você acha que poderá contribuir ainda mais com o Programa?
FLJ: O Programa Minas Tênis Solidário está sempre buscando ampliar suas fronteiras, seja pela assistência a novas Instituições ou firmando convênios com outros organismos de apoio assistencial. Acredito que no comitê gestor poderei contribuir com a análise da capacidade de atuação do programa, frente às necessidades das Instituições assistidas. Além disso, pretendo atuar bem próximo dos grupos de voluntários, sendo um facilitador na comunicação de todos. Aproveito o momento para agradecer aos voluntários do Grupo Administrativo, dos demais grupos e ao Comitê Gestor pela confiança no meu trabalho.
 
MTC: Qual é a importância do desenvolvimento das ações sociais para o bem das comunidades?
FLJ: Atividades voluntárias transformam pessoas, tanto aquelas que recebem e as que doam. Muitas das ações, mesmo sendo de caráter assistencialista, têm poder de transformação. As pessoas mais necessitadas, quando recebem as doações ou apenas o nosso convívio momentâneo, seja através de uma conversa, uma música ou outra atividade desempenhada, reconhecem nosso esforço e sempre agradecem muito. Em resumo, isso tudo significa transformação e amor ao próximo.

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