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Adote a sustentabilidade

Pequenas ações em casa ajudam a preservar o meio ambiente e gerar economia

O Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, começou a ser comemorado em 1972, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de preservar os recursos naturais. Mas, e você? Já parou para pensar nos impactos que as suas atitudes de hoje podem provocar no futuro? Nos últimos meses, com o isolamento social devido à pandemia de  Covid-19, as pessoas perceberam a quantidade de lixo produzido diariamente, mesmo em famílias pequenas. É um amontoado de plástico, metal, vidro, papel, lixo orgânico e mais papel e mais plástico. Começamos a observar que essa quantidade de material que é levado de nossas casas pelo serviço de limpeza urbana vai, muitas vezes, para os lixões, podendo causar ainda mais problemas à saúde pública. Além disso, há outras atitudes que podemos adotar no dia a dia, visando à economia de água, de energia e a preservação das áreas verdes de nossa cidade, atenuando os malefícios causados ao meio ambiente.
 
O Minas Tênis Clube tem grande preocupação com as questões ambientais e já adota, há algum tempo, em todas as unidades e no Náutico, procedimentos que  possibilitam economia de água, que é um recurso tão escasso em alguns lugares, além da preservação do meio ambiente. Para falar sobre esse assunto tão relevante nos dias atuais e esclarecer questões simples referentes às ações sustentáveis que podemos adotar em nossa rotina, conversamos com o diretor de Obras do Minas, José Cláudio Nogueira Vieira. Ele é engenheiro Civil, diretor das empresas CLAM e Vila Construtora/Minasplan e especialista em projetos ambientais, incluindo a elaboração de estudos de impacto ambiental para importantes empresas do setor da construção civil. Foi membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte (COMAM), além de presidente da Comissão de Meio Ambiente e Florestas da Sociedade Mineira de Engenheiros. O diretor minastenista também é professor do curso de pós-graduação em construção civil da UFMG.
 
Minas Tênis Clube: Quais são os procedimentos e ações já adotados pelo Minas, visando a preservação do meio ambiente?
 
José Cláudio Nogueira Vieira:  O Minas faz muitas coisas em prol do meio ambiente, então eu vou falar algumas ações de maneira resumida. Primeiro de tudo é a manutenção das áreas permeáveis. Todas as Unidades têm uma quantidade de área permeável de gramados e jardim, mínima definida. Então, a gente procura manter essas áreas. Isso é muito difícil, porque há uma necessidade do sócio e da comunidade em geral de pavimentar esses locais, para fazer espaços que sejam adequados a novas atividades. Essa é uma luta constante nossa, para manter esses espaços como estão. No Minas II, por exemplo, já nos solicitaram diversas vezes a pavimentação da área de gramado para fazer aula de Tai Chi e de Alongamento. E nós, em prol do meio ambiente, resistimos bravamente para manter essa área permeável. Isso é importante não só pela preservação da área verde, mas também por um aspecto prático. As áreas permeáveis ajudam a evitar inundação. A partir do momento que a água que precipita não vai para a galeria de água pluvial, mas infiltra no solo, ela não causa inundações. Então, essa é uma contribuição que o Minas faz à sociedade, muito significativa. Nós vamos sempre tentar manter o coeficiente de área permeável elevado em todas as Unidades, principalmente no Country, que tem uma vocação mais rural, mais bucólica, que necessita disso.
 
Outra atitude do Clube que contribui com a sustentabilidade é a análise dos efluentes não domésticos. O Minas produz dois tipos de efluentes, o doméstico e o não doméstico. O primeiro vem das instalações sanitárias, como chuveiro, pia e vaso sanitário. Só que o Minas produz outros esgotos que são considerados não domésticos, como o que vem das cozinhas industriais dos restaurantes, que é carregado de material orgânico e o que provém das águas de retrolavagem da piscina. Esse esgoto pode ter características que atrapalham todo o tratamento de água da cidade. E, por isso, o Minas participa do precend, que é um plano de uma série de análises do esgoto do Clube que é enviado à Copasa, de modo que esse material não atrapalhe o tratamento do esgoto da capital.
 
Além disso, o Clube utiliza a água de retrolavagem das piscinas para irrigar as quadras de tênis. Na maioria dos Clubes, essa água é descartada no esgoto. Com esse gesto do Clube, promovemos uma economia enorme de água e a reutilizamos para um serviço que precisa ser feito.
 
MTC: Em sua opinião, existe alguma ação ou mudança que o Clube pode promover para melhorar ainda mais a sua sustentabilidade?
 
JCNV - Existem sim, algumas. Uma delas é a redução do consumo de água nos banheiros. Usamos ainda a válvula de descarga da parede, que gasta nove litros de água por descarga ou mais, dependendo do tempo que se aperta o botão. A tecnologia mais moderna, desenvolvida em prol do meio ambiente, é com as caixas acopladas, em que o gasto de água é de três ou até seis litros de água. Ainda estamos tentando aprovar a implantação dessa mudança, que será muito benéfica. Além do mais, a caixa acoplada é mais delicada que a válvula para utilização. Há também, as torneiras temporizadas, que já estão presentes em alguns locais, mas que precisamos aumentar o número nos vestiários. Também há a possibilidade de instalar chuveiros mais econômicos, projeto que está em análise, mas que se trata de um processo difícil de implantação. Essas medidas melhorariam ainda mais a sustentabilidade do clube, no contexto da economia de água.
 
Já existe a coleta seletiva no Minas, mas esse programa precisa ser expandido e diversificado. As lixeiras precisam ser trocadas, no futuro, e os associados e colaboradores precisam ser orientados e conscientizados da utilização adequada das lixeiras de coleta seletiva.
 
Os chuveiros elétricos existentes poderiam ser substituídos, utilizando um sistema de aquecimento solar. Já temos o sistema de aquecimento das piscinas, que é o maior da América Latina, mas poderíamos ter outro sistema de aquecimento de água, direcionado para a água do banho.
 
Ainda existe a possibilidade de implantação de sistemas fotovoltaicos, que são placas que convertem energia solar direto para energia elétrica. Esse já é um plano para o futuro do Minas, que está em análise. Espero em breve poder anunciar a implantação desse sistema, que seria uma medida muito interessante em prol do meio ambiente. Normalmente, as medidas de cunho ambiental estão associadas à economia. Eu vejo uma congruência muito importante nesses dois aspectos. Trabalhar em prol do meio ambiente, com inteligência, sem ser “eco chato” ou “biodesagradável” te leva, também, à economia.
 
MTC: O Minas Country foi reconhecido, em 2002 pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais como Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN). Quais são as principais medidas e cuidados diários adotados, que visam a preservação da fauna e da flora na mata do entorno do clube?
 
JCNV - Buscamos, em prol do meio ambiente, preservar a região da reserva e procuramos manter os aceiros no entorno, porque ali é uma região problemática, em função dos incêndios e é nossa função manter a RPPN protegida. Essa área não deve ser roçada e nem mexida, então, nós protegemos a região e não interferimos nela. Procuramos proteger o local das nossas intervenções e principalmente, a dos vizinhos. Atrás do Country tem uma ocupação irregular e o Clube mantém ronda rotineira, para evitar a invasão e depredação do local, além da caça aos pequenos animais.
 
Há outras medidas que o Minas adota para as demais áreas de mata do Country, que é a poda das árvores e serviço de jardinagem. Os profissionais que trabalham na Unidade mantêm vigilância e cuidado constante, para que o local continue com a vegetação maravilhosa do jeito que vemos lá.
MTC: Houve um aumento significativo na produção do lixo doméstico desde o início do período de isolamento social, devido à covid-19. Como as pessoas podem contribuir, de dentro de suas casas, com a sustentabilidade e com o meio ambiente?
 
JCNV - Primeiro, com a separação seletiva do lixo. A gente gera lixo demais e isso se amontoa em aterros e lixões. Existe uma diferença entre os dois locais. Aterro é o local próprio, feito e implantado através de um projeto de engenharia, onde o lixo pode ser descartado adequadamente, sem afetar a saúde das pessoas e sem afetar o meio ambiente. O lixão é o local onde o lixo é depositado de maneira desorganizada, afetando a saúde das pessoas e o meio ambiente, pois o resíduo pode poluir as águas subterrâneas e nunca mais vamos poder explorar essas águas, além de fazer mal à saúde publica. Por exemplo, se o lixo depositado contém gaze ou seringa e alguém pisa ou algum passarinho se contamina com o lixo e depois pousa nas janelas das casas, pode levar doenças às pessoas. O lixão é totalmente inadequado.
 
Em casa, as pessoas podem separar o lixo em metal, plástico, papel e lixo orgânico. Ou uma separação mais simples, em secos e molhados. Geralmente os lixos secos são os possíveis de reciclagem e o lixo molhado é o que não será reciclável. Então, por exemplo, estou na minha cozinha e descasco uma maçã, banana, cortei verduras e folhas. Isso tudo pode ser usado para fazer um composto orgânico. Tem várias maneiras práticas de descartar o seu lixo. Hoje temos, por exemplo, as minhoqueiras, que são tambores pequenos, ou caixotes, que você compra, até pela internet, e vai colocando os restos de verduras e alimentos, cascas de ovo, etc. Tem minhocas ali dentro desses recipientes que vão comendo esse material e produzindo o composto orgânico. Não dá cheiro e é superprático. Tem várias bandejas e você vai colocando os alimentos e trocando as bandejas, para utilizar nos seus vasos de plantas, com a terra adubada. Se você tiver um pouco de cuidado, vai descartar somente o lixo reciclável e transformar todo seu lixo orgânico em composto, mesmo em um espaço pequeno. É possível envolver seus filhos, tornando-os responsáveis por esse projeto e ensinando a importância desse descarte correto do lixo.
 
Se você quiser ser mais ousado, existem selos verdes, que são certificações ambientais em alguns produtos de supermercado. Esses produtos possuem pouca embalagem ou ela é totalmente reciclável, de forma a reduzir a quantidade de lixo.
 
Existe também uma loja de produtos cosméticos femininos, que te vende um primeiro produto, como por exemplo, um protetor solar, em uma embalagem e quando seu item acaba e você vai comprar novamente, é possível levar a embalagem antiga, que eles enchem com o produto para você.  Ou seja, o capital maior para contribuir com o meio ambiente, é a boa vontade. Basta querer.
 
MTC: Você acredita que a crise sanitária global pode deixar algum legado positivo para  a humanidade, em relação ao meio ambiente?
 
JCNV - Com o isolamento social estamos acelerando o processo de trabalho em home office. No contexto ambiental há, principalmente, a redução do percurso casa – escritório / escritório - casa. Reduzindo esse percurso, diminui também a emissão de poluentes dos veículos, pelos ônibus e carros. No aspecto individual, as pessoas começam a ter um pouco mais te tempo livre, pois, o tempo que seria gasto para ir ou voltar do trabalho, pode ser aproveitado para ler, estar com a família, fazer exercícios físicos, etc. Então, talvez o futuro que eu vejo é o trabalho em home office mesclado com o trabalho presencial. O grande ganho disso seria trabalhar de forma mista. Trabalhando por rodízio entre casa e trabalho. Dessa forma, as pessoas teriam tempo para se dedicar a fazer, por exemplo, refeições mais saudáveis e congelar verduras frescas para comer nos outros dias. Além de tudo, essa pessoa poderia cuidar da reciclagem do lixo em casa. Esse é o principal legado que eu vejo que a crise da Covid-19 vai deixar. Essa visão ampliada de que o trabalho em casa também é possível, sem deixar o trabalho presencial, pois estimula, principalmente, o convívio social.

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