Esporte

Leandro Vissotto: do reencontro com o Minas ao desafio de comandar uma equipe

Três anos após se despedir das quadras, ex-oposto inicia uma nova fase à frente do Gerdau Minas

Velho conhecido da torcida minastenista, Leandro Vissotto está de volta ao Minas. Aos 43 anos, o ex-oposto do Clube assume sua primeira experiência como treinador no voleibol profissional brasileiro. Na última temporada, esteve à frente da equipe da Universidade de Miami, que disputa a liga universitária norte-americana.

Apesar de carioca, Vissotto se considera um “mineirin”. Sua primeira passagem por Belo Horizonte aconteceu em 2005, quando chegou ao então Telemig Celular Minas. Foi também naquele ano que conheceu sua esposa, Nathália, mineira e sócia do Clube, e começou a construir sua família.

Do Minas, Vissotto seguiu diretamente para o voleibol italiano, uma das ligas mais importantes e competitivas do mundo. O alto nível apresentado em quadra o colocou entre os nomes frequentes das convocações da Seleção Brasileira e rendeu, entre outras conquistas, uma medalha olímpica: a prata nos Jogos de Londres, em 2012.

Anos mais tarde, já na reta final da carreira como jogador, retornou ao Clube da Rua da Bahia. A passagem marcou sua despedida das quadras e encerrou um ciclo especial com a camisa minastenista.

Agora, três anos depois da aposentadoria, Vissotto está de volta ao Minas para iniciar um novo capítulo de sua trajetória. Desta vez, em uma função diferente e no voleibol feminino: como treinador. Nesta nova aventura, ele conta com o fisioterapeuta Ricardo Alves Pereira, o analista de desempenho David Ilário, o preparador físico Rafael de Paula e o assistente técnico Tiago José Silva, que integram a comissão técnica e estarão ao seu lado no trabalho diário ao longo da temporada.

Confira, abaixo, o bate papo com o novo comandante do Gerdau Minas na temporada 2026/27.

Esta é a sua terceira passagem pelo Minas, mas agora em uma função diferente. Antes de falarmos sobre esse novo desafio, gostaria que você relembrasse suas passagens pelo Telemig Celular Minas (2005/06) e pelo Itambé Minas (2021/22 e 2022/23). Como você recorda essas experiências e o que elas representam na sua trajetória?

As duas passagens foram muito especiais. A primeira foi ainda mais marcante porque eu estava com uma lesão muito grave no ombro, pensando até em parar de jogar voleibol. Naquele momento, eu era o único atleta sem clube, e o Minas me deu a oportunidade de vir para cá para me recuperar. Fiz um processo de recuperação que demorou quase seis meses até eu voltar a jogar. Então, o Minas me resgatou, resgatou minha carreira para o voleibol.

Naquele ano, chegamos à final da Superliga e fomos campeões do Paulista. Foi muito bacana viver essa reviravolta na minha carreira. Dali, fui para a Seleção Brasileira de Novos e, consequentemente, recebi uma proposta para jogar no voleibol italiano.

Na época, era um sonho imenso. A gente fazia parte daquela nossa geração de ouro na Itália, então era um sonho poder jogar contra aqueles atletas. O Minas me proporcionou tudo isso na minha primeira passagem, e tive a felicidade de poder terminar minha carreira aqui.

Foram anos muito especiais e agora poder voltar para um lugar que era a minha casa é algo muito significativo. Minhas filhas nasceram aqui em Belo Horizonte, minha esposa é daqui e cresceu dentro do Minas Tênis, então eu me considero “mineirin de tabela”. Depois de ter jogado aqui, também trouxe esse amor para a minha vida e para a minha carreira.

Sempre que passei por aqui, joguei com muita paixão e muito amor pela torcida, que é fanática e sempre apoia o vôlei. Os sócios, a diretoria, todo mundo é muito apaixonado pelo voleibol e sempre me deram muito apoio. Estar agora do outro lado, como treinador, tem um sabor muito especial!

Logo após encerrar sua carreira como jogador, você iniciou a transição para a comissão técnica, primeiro como auxiliar e, na última temporada, assumindo o cargo de treinador. Como foi esse processo? Essa mudança já fazia parte dos seus planos para o pós-carreira ou aconteceu de forma mais natural, sem um planejamento prévio? 

É muito interessante essa pergunta, porque eu não me imaginava como técnico de voleibol aos 30 e poucos anos. Parei de jogar aos 40 e, nos meus últimos anos como atleta, eu já tinha feito um planejamento para voltar para os Estados Unidos. Apliquei para o meu visto em 2020, durante a pandemia, quando estava tudo fechado. O processo demorou dois anos para sair e, graças à minha condição física, consegui jogar mais três anos, até 2023.

Eu já tinha o objetivo de ir para os Estados Unidos trabalhar como treinador e também tinha o sonho de trabalhar com o voleibol feminino. Naquela época, comecei a me aproximar do Nicola [Negro, ex-treinador do Gerdau Minas] e conversava muito com ele sobre o jogo feminino, as nuances e as diferenças em relação ao masculino. Inclusive, me fazem essa pergunta do porquê treinar o feminino. Sou o caçula de duas irmãs mais velhas que jogavam voleibol e sou pai de duas meninas; então, também cresci nesse universo, cercado por duas irmãs dentro desse ambiente do feminino.

Essa transição para treinador acabou sendo um pouco natural. Uma inspiração também foi o treinador que tive em Campinas, o Horácio [Dileo, ex-treinador do Minas e treinador do Vôlei Renata Campinas], que despertou em mim esse lado de ensinar. Ele dizia que eu tinha um jeito diferente de ensinar voleibol, principalmente com os atletas mais novos. Então, comecei a perceber que eu conseguia dar um toque, falar alguma coisa e aquilo funcionava. Ele também começou a observar isso, e foi muito bacana.

Esse olhar um pouco mais técnico, aliado à minha experiência como atleta, me ajudou a desenvolver um feeling para entender como melhorar alguns aspectos junto aos meus companheiros. Naturalmente, isso acabou sendo transferido quando comecei a trabalhar como treinador nos Estados Unidos. Lá, tive uma oportunidade muito grande. Existem muitas universidades, o voleibol é muito forte, e milhões de meninas praticam o esporte nos Estados Unidos. Então, foi uma junção de fatores que me levou para o lado de treinador.

O Miami [University of Miami] subiu mais de 200 posições no ranking e, no último ano, terminou entre as 15 melhores equipes dos Estados Unidos, com a melhor temporada da história em número de vitórias. Foi um impacto muito grande no voleibol americano, e isso me levou a ser assistente técnico da Seleção Americana Sub-19.

Tive muitas oportunidades e fui muito abençoado por estar naquela condição, que me permitiu me preparar bem e conhecer uma escola muito diferente da nossa. A escola americana de voleibol é muito diferente da brasileira, então pude agregar tudo o que aprendi como atleta na Itália, no Brasil, e também com os treinadores que tive ao longo da carreira. Para mim, isso foi essencial!

É uma escola muito científica, que estuda muito o jogo, desde a parte tática e técnica até a forma de ensinar o voleibol da maneira mais eficiente possível. Então, tudo isso acabou se encaixando de uma maneira muito boa e me permitiu chegar aqui hoje muito mais preparado para esse novo desafio.

Você terá à disposição um elenco que reúne atletas experientes e de grande destaque, como Nyeme e Thaisa, ao lado de jovens que vêm se consolidando no cenário nacional, como Luzia, Giovana Guimarães, Ana Rudiger e Jheovana. Como você pensa essa combinação de experiência e juventude? Quais são os principais desafios de conduzir um grupo com perfis diferentes, tanto para manter o alto nível das atletas mais experientes quanto para acelerar o desenvolvimento das mais jovens? 

Cada uma, individualmente, tem uma personalidade e uma experiência diferente. Eu acho que, quando você consegue fazer essa mescla, pode acelerar o processo de amadurecimento das meninas mais novas, porque as mais experientes já sabem o que precisa ser feito para estar no alto rendimento. A Thaísa, bicampeã olímpica, é uma profissional super dedicada, está sempre fazendo o melhor para estar bem física, tática e tecnicamente. Ela exerce uma liderança não só pelo que já fez, mas principalmente pelo exemplo. Assim como Nyeme, Fran e todas as outras atletas mais experientes, elas trazem isso para as mais novas, mostrando que nada acontece por acaso.

Isso facilita a nossa vida como comissão técnica, porque elas dão o ritmo e o tom do trabalho. E é muito gratificante trabalhar com meninas mais novas, porque a gente vê a margem de crescimento que elas têm. Quando você pode impactar a carreira delas, transformar tecnicamente alguns déficits e também ajudá-las na questão psicológica, é muito especial. Eu vivi isso durante muito tempo como atleta e, hoje, estando deste lado, acho que consigo combinar esses dois cenários e usar a minha experiência para ajudar essas meninas a se desenvolverem.

Acho que o Felipe, que hoje está no Sada Cruzeiro, é um exemplo. Ele parou de jogar e já começou a ser técnico, tendo um sucesso excelente. Eu acho que, quando você se propõe a estudar, se preparar e entender o jogo – não só técnica, física e taticamente, mas tudo o que está por trás do esporte –, consegue acelerar esse processo.

O nosso objetivo é ajudar essas atletas a serem a melhor versão que elas possam ser e a performar dentro de quadra. Em esportes coletivos, ninguém faz nada sozinho. Ter uma atleta muito experiente sozinha não vai resolver tudo, assim como uma jovem extremamente talentosa, mas sem a mentalidade correta, também não vai fazer nada sozinha. A gente precisa unir essas peças e canalizar tudo isso para o melhor do Gerdau Minas.

Até o momento, o Clube já anunciou três novidades para esta temporada: Luzia, Jheovana e Maiara Basso. O que cada uma delas pode agregar à equipe, considerando as características e necessidades que vocês buscavam no mercado? 

A Luzia vem da escola Zé Roberto, com muitos anos de trabalho lá no Barueri. Inclusive, disputou agora a VNL e terminou a competição como titular da Seleção Brasileira. Então, ela chega com uma bagagem muito importante, não só por ter sido protagonista no clube em que estava, mas também por ter tido essa experiência recente na Seleção, jogando ao lado de algumas das melhores jogadoras do mundo. É uma atleta jovem, muito alta, com um potencial enorme e uma margem de crescimento muito grande. Acho que ela vai agregar muito ao nosso elenco.

A Maiara já teve uma passagem aqui pelo Minas. Acho que é uma jogadora muito equilibrada e que vai trazer estabilidade para a nossa recepção, para o fundo de quadra e também para a rede. É uma atleta que sabe jogar, entende o que precisa fazer para ser eficiente e faz tudo muito bem. É o que a gente chama de uma atleta de equilíbrio, que vai trazer essa base e essa estabilidade para o nosso time.

A Jheovana é uma atleta jovem, muito forte fisicamente e com muito potencial. Acho que, por eu ter jogado nessa posição por muito tempo, vou poder ajudá-la bastante nas nuances do jogo. Ela ainda tem muita coisa para evoluir tecnicamente e, principalmente, nas tomadas de decisão durante as partidas. Acho que foi uma grande sacada trazê-la para a nossa equipe. É uma menina que também está no radar da Seleção Brasileira e tem muito a crescer.

Para fechar, deixe um recado para a torcida do Gerdau Minas, que estava tão ansiosa pela sua chegada e que você conhece tão bem.

Tenho uma plaquinha que a torcida Independente fez para mim na minha primeira passagem pelo Minas. Na época, me chamavam de Rambo. Eles também fizeram uma homenagem quando me aposentei aqui. Quando surgiu a possibilidade de voltar, eu olhei para aquela plaquinha e fiquei muito emocionado, por poder sentir essa energia novamente. Agora vou poder curtir ainda mais, apoiando e também recebendo esse apoio.

A felicidade é imensa por poder contar com a nossa torcida e também com o apoio das atletas que estão chegando. A gente sabe do peso do Gerdau Minas, sabe da cobrança que a nossa torcida coloca sobre a equipe e sabe que não vai faltar entrega, não vai faltar disposição para trabalhar.

Os resultados são consequência de vários fatores. Eu acho que as meninas são todas de excelente caráter e personalidade e vão dar o melhor pelo Gerdau Minas. Elas vão entender o que significa vestir a camisa desse Clube e o quanto é importante ter esse escudo no peito, com muito orgulho. Agora é trabalhar, fazer o nosso melhor para conseguir chegar o mais alto possível e sonhar alto. Nossos objetivos são sempre muito altos e, com a ajuda da nossa torcida, nós vamos conseguir.

Patrocinador: Gerdau
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Patrocinador: Itambé
Material esportivo: 
Nakal

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As atletas do voleibol feminino do Minas são beneficiadas com recursos de projetos vinculados ao Comitê Brasileiro de Clubes. O fisioterapeuta Ricardo Carvalho participa do Projeto MINAS TÊNIS CLUBE – RECURSOS HUMANOS CICLO 2025/2028, Termo de Execução nº 35/2024, parceria Minas e Comitê Brasileiro de Clubes.