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Outubro Rosa

Atenção aos sintomas do câncer de mama e às possibilidades de tratamento da doença

Em 1990, surgiu em Nova York o movimento Outubro Rosa, com o objetivo de conscientizar as mulheres de todas as partes do mundo sobre a importância da atenção aos sintomas e à identificação precoce do câncer de mama.  A campanha é realizada anualmente, no mês de outubro, tem como premissas disseminar informações sobre a prevenção da doença, enfatizar a necessidade do atendimento médico especializado e incentivar a realização do exame de mamografia.

Para levar informação segura e de qualidade aos associados, a série Faça o Bem, produzida pela Assessoria de Comunicação do Minas, traz a  entrevista com o coordenador do Setor de Mastologia do Hospital das Clínicas, Clécio Ênio Murta de Lacerda.  Confira.

 

Quais são os primeiros sinais do câncer de mama que devem despertar a atenção das mulheres?

A identificação da doença é possível em duas modalidades. A primeira delas é chamada doença subclínica, que é quando o câncer é encontrado pelo exame de mamografia, que rastreia o câncer antes de sua manifestação. Essa é a forma mais inicial, na qual conseguimos dar o diagnóstico e todas as opções que aquela mulher terá de tratamento. Passada essa fase, entramos na segunda modalidade, que é o diagnostico clínico. Nessa fase, a mulher pode perceber o nódulo ou a alteração da mama no autoexame, ou o médico pode identificar durante o exame clínico das mamas. De todos os sintomas apresentados, o principal é a presença do nódulo ou caroço, que é a alteração mais notada ou percebida pela própria paciente.

O sintoma menos frequente é chamado de derrame papilar, que é uma secreção sanguinolenta ou cristalina (tipo água), espontâneo, sem manipulação, que suja a roupa íntima da mulher. Esse é o tipo de derrame que pode estar relacionado ao câncer de mama. Outras alterações são as que chamamos de deformidade estrutural, que é quando percebemos um afundamento ou abaulamento, retraindo ou estufando a pele do seio ou o bico do peito. Muito raramente, a dor é um dos sintomas. Quando é o caso, a doença já está mais avançada. É muito incomum que a dor seja um sintoma inicial e é a que menos está relacionada à doença. Outro sintoma muito incomum da doença é a coceira que provoca ferida no bico do peito.

A partir de qual idade é importante começar a fazer o autoexame das mamas?

As mamas podem ser objeto de anormalidade a vida inteira, desde a infância e adolescência, mas sem relação alguma com o câncer. Mas, a partir de 25 anos, as mulheres devem ficar mais atentas, observar e fazer o autoexame das mamas. O rastreamento, ou seja, o exame da mamografia com a finalidade de encontrar precocemente a doença, segue duas recomendações distintas. Do ponto de vista da saúde pública e da Sociedade de Mastologia e Ginecologia, a realização do exame deve ser feita a partir de 40 anos, anualmente, até os 75 anos. Mas fazemos nossa recomendação de acordo com a perspectiva de vida. Pelo Ministério da Saúde, o primeiro exame de mamografia deve ser feito a partir dos 50 anos, e até os 69 anos, repetindo a cada dois anos. Esses são exames de rastreamento, em pacientes que estão assintomáticas. Agora, se existe uma mulher que tem qualquer manifestação, qualquer coisa que gere duvida com relação à doença, a realização da mamografia independe da idade. Seja pelo SUS ou pelo sistema privado de saúde.

Quais são os exames realizados pelos sistemas de saúde publico e privado que identificam a doença?

Além da mamografia, existem outros exames de imagem que são realizados em relação ao rastreamento. Temos, atualmente, tanto no SUS quanto no sistema privado, os exames de ultrassom, ressonância magnética, biopsias por agulha e punção aspirativa.

As mulheres que já tiveram familiares diagnosticadas devem ter algum cuidado a mais?

Todos esses cuidados que falamos anteriormente se referem às mulheres que chamamos de risco habitual. Para as pacientes ditas de alto risco, que são as que tiveram a doença identificada através de exame de rastreamento ou que têm histórico familiar muito forte do câncer de mama, a recomendação é completamente diferente. Em geral, antecipamos a idade de início da mamografia, dependendo de cada caso. Se o parentesco, principalmente de primeiro grau apresentou a doença com 38 anos, por exemplo, antecipamos a mamografia para três anos antes da idade em que a parente foi diagnosticada. Se ela tiver algum outro fator de risco, antecipamos ainda mais. Por isso, os cuidados são de acordo com o histórico e com o relato de cada paciente.  

Atualmente, quais são as opções de tratamento do câncer de mama? A mastectomia é recomendada em todos os casos?

São avaliados vários fatores para planejar como será feito o tratamento da paciente.  Mas, basicamente, ele é feito de duas formas: conservador, em que é retirada uma parte da mama; ou radical, em que é feita a retirada total da mama, o que chamamos de mastectomia. No Hospital das Clínicas é feito todo o tratamento, de retirada e de reconstrução da mama. Existe uma Lei, desde 2013, que assegura às mulheres o direito de terem a mama reparada, corrigida ou reconstruída em caso de câncer de mama, mesmo pelo Sistema Único de saúde. Claro que existem exceções, pois em alguns casos, não é recomendável que se faça esse procedimento de imediato. Mas, sempre que possível essa reparação é feita, total ou parcialmente. Dividimos as formas de tratamento em duas frentes: Tratamento loco-regional que é feito pela cirurgia e radioterapia ou o tratamento sistêmico, que é feito por meio de quimioterapia, hormonioterapia e pelas chamadas terapias-alvo.

Qual é a importância da rede de apoio na vida das mulheres que são diagnosticadas e fazem tratamento contra a doença?

O apoio a essas pacientes, em todos os sentidos, deve ser estendido, pois é fundamental no tratamento e na recuperação delas. Esse apoio deve existir desde o período pré-tratamento até o pós-tratamento. É muito importante que a mulher tenha um acompanhamento familiar, psicológico, nutricional, fisioterápico e que se sinta acolhida, de fato. A mulher se sente muito fragilizada e questionadora sobre os motivos pelos quais está passando por aquela situação.  São questões que precisam ser trabalhadas junto à paciente e aos familiares. Durante o tratamento, a paciente tem todo o suporte, no Hospital das Clínicas, das equipes de enfermagem, da  psicologia, das nutricionistas, para adequação da dieta. É uma interdisciplinaridade que precisa estar unida, em prol da paciente.

 

 

 

 


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