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Sérgio Pererê

Artista mineiro é o segundo entrevistado do Sarau MTC. Confira!

O cantor e compositor mineiro Sérgio Pererê participou, nessa segunda-feira (12/10), da segunda noite do Sarau Minas Tênis Clube 2020, que, como reflexo da pandemia de Covid-19, tem formato on-line e programação de entrevistas com intérpretes de destaque da música brasileira. A live da entrevista foi transmitida no canal oficial do Minas no YouTube (youtube.com/minastcoficial) e já conta com mais de 300 visualizações. Em conversa com a jornalista e apresentadora Christiane Antuña, Pererê fala sobre sua voz, seu trabalho de intérprete de músicas de outros compositores e de suas próprias canções e dos cantores que o influenciam. Confira a entrevista completa no vídeo a seguir:

 

 

Sérgio Pererê lançou, em maio último, o disco de releituras “Revivências”, com canções de Chico Buarque, Milton Nascimento, Gonzaguinha (1945-1991), João Bosco, Chico César, entre outros nomes da música brasileira, que pode ter sequências. “Quando eu tive vontade de fazer o ‘Revivências’, foi um entendimento de que eu estou no Brasil, terra de compositores maravilhosos. Então, eu preciso cantar essas pessoas também”, explica o artista. “Foi uma seleção de canções, e ficou faltando muita coisa. Pode ter ‘Revivências’ dois, três, quatro... a nossa música é muito rica”, completa.

O artista diz que interpretar uma canção é uma chance de se reinventar, inclusive suas próprias músicas. “Quando canto minhas composições, eu me jogo de forma diferente. Depende de como estou, qual instrumento estou tocando, isso me dá liberdade de poder reinventar a própria música. Há a possibilidade de brincar”, afirma o cantor.

A voz de Sérgio Pererê é destacada por Christiane Antuña como marcante, profunda, misteriosa e única. “A voz chegou para mim depois de outras coisas na música. Eu tenho um probleminha de fábrica que gera uma fenda nas cordas vocais. Isso me dá dificuldade de manter notas longas e na afinação”, lembra o cantor. Pererê revela que o blues, gênero musical norte-americano, o ajudou a aceitar as características de sua voz, que lembra o timbre de artistas do gênero. “Tem gente que acha que o blues é o canto do negro americano, mas não. O blues é o lamento africano no solo da América. É um canto que parte de um estalo no peito, de um lamento. Não tem a intenção de ser uma canção”, conta o artista.

Para Sérgio Pererê, a forma de cantar mudou muito ao longo do tempo. “Estamos numa era em que o cantor não é necessariamente uma pessoa com grande aprimoramento técnico, como na época de Chico Alves, Nelson Gonçalves e Orlando Silva. Hoje, são outros valores, e pode ser que a gente tenha perdido alguma coisa, mas ganhamos também. O cantor pode não ter aprimoramento técnico, mas tem uma carga ancestral, tem uma memória vocal. Por exemplo, todos os cantores que vêm do nordeste têm a força de ser nordestino, e isso vale para todo mundo”, explica o cantor.

O artista mineiro considera Ney Matogrosso a influência para seu canto. “Eu sempre o entendi como uma coisa além de cantor. A voz e o corpo são a mesma coisa. O que me impressiona é que Ney escolhe tão bem o que canta que quase vira o compositor do que interpreta”, constata. Na voz feminina, Pererê lembra Alcione. “É difícil não enlouquecer ouvindo Alcione. Ela é um acontecimento vocal, um tsunami, tem um domínio grande ao projetar a emoção com a voz, e o fato de ela ser trompetista ajuda muito”, observa o cantor mineiro, acrescentando que Milton Nascimento é quem mais o emociona. “Ele me arranca lágrimas. Quando meu pai queria me encorajar a continuar na estrada da música, ele falava que eu ia encontrar o Milton. E no ano que isso aconteceu foi quando meu pai morreu”, revela Pererê.

Na próxima segunda-feira, dia 19 de outubro, às 20h, será realizada a terceira e última entrevista do Sarau Minas Tênis Clube 2020. A cantora e compositora Fabiana Cozza será entrevistada pela jornalista e apresentadora Christiane Antuña.

Sarau Minas Tênis Clube 2020

Entrevistas ao vivo no canal youtube.com.br/ minastcoficial

Fabiana Cozza
Data: 19/10 (segunda-feira).
Horário: 20h.

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