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Rubem é o Brasil real

Marçal Aquino analisa a obra de Rubem Fonseca no Letra em Cena on-line

A obra de Rubem Fonseca (1925 – 2020) foi o tema de mais uma sessão on-line do programa “Letra em Cena. Como ler...”, transmitido pelo canal oficial do Minas Tênis Clube no Youtube (youtube.com.br/minastcoficial). Marçal Aquino, jornalista e roteirista, falou sobre a trajetória do escritor juiz-forano que é considerado um dos mais importantes ficcionistas do Brasil e vencedor do Prêmio Camões em 2003. Em 1h20 de live, que conta atualmente com mais de 400 visualizações e pode ser vista aqui, também foi declamado, pelo ator Arildo de Barros, trecho do conto “O Cobrador”, de Rubem Fonseca.

Marçal Aquino explicou que Rubem Fonseca, a quem chamava pelo apelido de Zé Rubem, no início da carreira, sofreu influência da literatura norte-americana, diferentemente da maioria dos autores nacionais da época, que se inspiravam na literatura europeia. “Zé Rubem foi um dos primeiros escritores brasileiros a ser guiado pela literatura norte-americana, com inspiração em William Faulkner, Raymond Chandler e Ernest Hemingway. Ele leu todo esse pessoal e isso aparece na sua obra”, diz. É possível perceber essa influência na forma da escrita de Fonseca. “O texto tem como característica ser muito visual e por isso tem um pacto com o cinema”, completa Marçal.

 

 

Carregada de violência e realismo, a obra de Rubem Fonseca recebeu do acadêmico Alfredo Bosi a denominação “literatura brutalista”, que, segundo  Marçal Aquino, chama as coisas pelo nome real delas.  “O texto brutalista, e na época em que Zé Rubem escreveu suas obras, como ‘Feliz ano novo’ ou ‘O cobrador’, as pessoas eram presas por vadiagem. Zé Rubem foi premonitório. Hoje acontece toda a violência que ele escreveu”, observa.

Marçal Aquino destaca a influência de Rubem Fonseca na obra de autores novos. “Talvez, sem a inspiração em Zé Rubem, não teria nascido, por exemplo, um livro como “Cidade de Deus”, de Paulo Lins. Ele abriu o caminho para muitos autores, quando escreveu de forma muito real sobre o Rio de Janeiro”, diz o jornalista.

O fato de Rubem ter mostrado um retrato feio da cidade maravilhosa também foi destacado por Marçal. “Como escritor branco, de classe média, ele mostrou o povo marginalizado de forma verdadeira. Há uma lenda que conta que, antes de escrever ‘Feliz ano novo’, ele se fantasiou de mendigo e passou o Natal na favela. Zé Rubem é o Brasil real”, afirma o palestrante.

Campos de Carvalho é o próximo tema do Letra em Cena on-line

A obra do escritor Campos de Carvalho (1916 – 1998), mineiro de Uberaba, será o tema da próxima sessão do “Letra em Cena on-line”, no dia 13 de outubro, terça-feira, às 20h. O palestrante convidado é o escritor Luiz Ruffato. A transmissão será pelo canal oficial do Minas Tênis Cube no Youtube (youtube.com.br/minastcoficial).

Para saber informações e novidades sobre o programa literário do Minas Tênis Clube, faça sua inscrição no site da Sympla.

 


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