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Itamar Vieira Junior fará análise da obra de Jorge Amado, 20 anos depois de sua morte

O Ministério do Turismo apresenta o programa literário "Letra em Cena. Como ler...". Realizado pelo Centro Cultural Unimed-BH e Minas Tênis Clube, com patrocínio master do Instituto Unimed-BH e Unimed-BH, o Letra em Cena, em seu formato on-line, apresenta, no dia 15 de junho (terça-feira), às 20h, no canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube, a análise da obra do baiano Jorge Amado (1912- 2001), sob o olhar do escritor Itamar Vieira Junior, conterrâneo de Jorge e vencedor do prêmio Jabuti pela publicação “Torto Arado”, em 2020. A leitura de trechos das obras de Jorge será feita pela atriz Raquel Pedras. Em entrevista para o jornalista José Eduardo Gonçalves, o curador do “Letra em Cena. Como ler...”, Itamar vai falar sobre as características da obra de Amado, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e vencedor, em 1994, do Prêmio Camões, e de como o escritor o influenciou. “Minha relação com o Jorge Amado é de um admirador de um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Eu estive com a família Amado ainda na adolescência, por pura ousadia minha de ir buscar um autógrafo em sua residência”, lembra o escritor.

 

O escritor baiano Itamar Vieira Junior é convidado do Letra em Cena on-line para falar de Jorge Amado. Foto: Adenor GondimO escritor baiano Itamar Vieira Junior é convidado do Letra em Cena on-line para falar de Jorge Amado. Foto: Adenor Gondim

Jorge Amado é um dos mais conhecidos escritores brasileiros, na época de sua morte, em 2001, eram mais de 100 milhões de cópias vendidas de seus livros, que foram traduzidos para 49 idiomas. Suas obras foram adaptadas para o cinema, o teatro e a TV, como “Gabriela Cravo e Canela”, “Tereza Batista cansada de guerra”, “Tieta do Agreste”, “Tenda dos Milagres”, entre outras. “Tive pouco contato com as adaptações das obras de Jorge Amado. Vi a filmografia e uma única peça. Acho que são obras independentes, com outra linguagem, sem o objetivo de iluminar a obra. Mas gosto muito da adaptação de ‘Dona Flor e seus dois maridos’, de Bruno Barreto”, observa Itamar.

A trajetória de Jorge na literatura se iniciou muito cedo, aos 19 anos, e seguiu até o fim da vida, aos 88 (morreu poucos dias antes de fazer 89). Nos primeiros livros, da década de 1930, é possível perceber um forte engajamento político. A fisionomia de sua escrita vai se alterando, e quando chega aos anos 1950, já existe o estilo 'amadiano'. “Jorge Amado tem uma escrita direta e envolvente, inspirada na cultura popular, principalmente na arte do cordel e nos falares do povo. É uma escrita com grande capacidade de comunicação, muito traduzida pelo seu valor universal”, atesta o palestrante. “Suas influências são duradouras, principalmente pela atenção que o autor deu às personagens pouco representadas na nossa literatura. As personagens amadianas são retratos do nosso povo”, diz.

Questões políticas são perceptíveis na obra do baiano. “A política está presente na escrita de Amado, como na de qualquer outro escritor, mesmo aqueles que se dizem neutros. Porém, principalmente na primeira fase de sua obra, é possível observar com mais ênfase o contexto de luta de classes e as desigualdades sociais, de forte influência marxista”, aponta Itamar. Jorge Amado foi, pelo Partido Comunista, deputado federal entre 1946 e 1948, e criou a emenda 3.218, promulgada em 1946, que tratava do livre exercício de crença religiosa. “Como escritor, Jorge Amado soube tocar em temas que não apareciam com frequência em obras literárias, como a força das religiões de matrizes africanas e em particular o candomblé. Jorge Amado desmistificou o éthos da religião, conferiu-lhe humanidade com seus romances, e como homem político pôs em prática seus anseios humanistas”, revela Itamar.

 

Serviço

Letra em Cena on-line. Como ler Jorge Amado

Data: 15 de junho, terça-feira.
Horário: 20h.
Transmissão: canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube (youtube.com.br/minastcoficial).

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