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Como ler Carolina de Jesus

Conceição Evaristo, escritora e linguista, analisa a obra da autora de "Quarto de despejo"

Em outubro, a sessão do "Letra em Cena. Como ler..." será dedicada à obra de Carolina Maria de Jesus (1914 -1977), sob o olhar da escritora e linguista Conceição Evaristo. O bate-papo, on-line, entre José Eduardo Gonçalves, jornalista e curador do programa literário do Centro Cultural Unimed-BH Minas, e a linguista será no dia 25/10 (segunda-feira), às 20h, no canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube. A leitura de textos de Carolina será feita pelo poeta Ricardo Aleixo.

Carolina de Jesus morou na favela do Canindé, em São Paulo, e trabalhou como catadora de papel. Ela ganhou projeção nacional, quando seu diário foi descoberto e publicado, em 1960, com a ajuda do jornalista Audálio Dantas (1929 – 2018). Com título “Quarto de Despejo”, o livro foi traduzido para 14 línguas. Tal publicação se tornou uma espécie de manifesto coletivo no anos 1960 mesmo sendo uma escrita pessoal. Para alguns estudiosos, “Quarto de despejo” é um documento que possui grande valor sociológico, porque expõe as condições miseráveis de uma população segregada nas grandes cidades e por ter sido escrito por alguém que vive essa marginalização.

Conceição Evaristo fala sobre a obra de Carolina de Jesus. Foto: Arquivo pessoal.Conceição Evaristo fala sobre a obra de Carolina de Jesus. Foto: Arquivo pessoal.

É importante ressaltar que quando “Quarto de Despejo” foi publicado, em 1960, estavam se erguendo movimentos sociais no Brasil, oriundos das manifestações contra a segregação racial nos Estados Unidos e da luta dos países africanos pela independência.

A obra de Carolina de Jesus para os especialistas deve ser compreendida como parte da história do Brasil e deve ser sempre lida.  A professora de literatura da Elzira Divina Perpétua, da UFOP, afirma que ler Carolina é essencial. “Penso que os livros de Carolina são parte da memória cultural do país e, por isso, devem ser conhecidos. Houve um momento na história brasileira que uma mulher negra, paupérrima, com baixa escolaridade, mãe de família, escrevia sobre sua vida e o que ela observava no dia a dia, ao percorrer as ruas da maior cidade da América Latina. Não se pode negar que isso tenha importância. Carolina tinha o que dizer e sabia como escrever. Seus erros ortográficos significam pouco diante de sua expressividade”, ressalta Elzira.

Serviço

Letra em Cena on-line. Como ler Carolina de Jesus

Data: 25 de outubro, segunda-feira.
Horário: 20h.
Transmissão: canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube (youtube.com.br/minastcoficial).

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