Cultura

Brás Cubas volta ao FESTA

Sucesso na 1ª edição do Festival, espetáculo retorna ao Minas

Como parte da programação especial do centro Cultural Unimed-BH Minas apresentamos o FESTA – FESTIVAL DE TEATRO E ARTES, que chega à sua segunda edição com espetáculos voltados aos públicos infantil e adultos, o festival é uma ode à inventividade dos artistas e à diversidade de reflexões que emergem das singularidades das suas montagens.

Brás Cubas, versão cênica de Paulo de Moraes para a obra-prima de Machado de Assis, que traz o Bruxo do Cosme Velho para o centro de cena, como personagem. Com dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça, a nova montagem da Armazém tem elenco formado por Sérgio Machado, Jopa Moraes, Bruno Lourenço, Isabel Pacheco, Felipe Bustamante e Aline Deluna, iluminação de Maneco Quinderé, cenografia de Carla Berri e Paulo de Moraes, figurinos de Carol Lobato e direção musical de Ricco Vianna. 

Na história, Machado de Assis reflete sobre a formação da elite brasileira. Entre tiradas filosóficas e metafísicas, o defunto Brás Cubas rememora sua intensa e frívola vida burguesa, no Rio de Janeiro do século 19, no meio de amores frustrados e a invenção de um remédio para a cura do grande mal da humanidade: a melancolia.

A dramaturgia de Brás Cubas, assinada por Maurício Arruda Mendonça, é uma adaptação do romance de Machado de Assis, mas não uma adaptação no sentido clássico porque insere o próprio autor na peça, como personagem. “O espetáculo tem uma certa vinculação com o sonho. A gente constrói essa história como se estivéssemos dentro da casa do Machado, acompanhando a sua criação. E o ponto central da nossa adaptação é o delírio que o personagem do Brás tem momentos antes de sua morte.”, comenta Paulo de Moraes.

Machado de Assis (vivido por Bruno Lourenço) invade sua narrativa com comentários que visam conectar contemporaneamente suas críticas à sociedade brasileira. “Nosso Machado não é um personagem biográfico. Embora todas as questões que o personagem coloque na peça tratem de assuntos sobre os quais Machado escreveu, estão colocadas em contextos diferentes. É uma brincadeira a partir de detalhes biográficos. Um personagem imaginário tentando se comunicar com o nosso tempo.”, finaliza Paulo. 

Brás Cubas venceu o Prêmio APTR de Teatro nas categorias de Espetáculo e Direção, além de ter sido indicado para Dramaturgia, Cenografia e Jovem Talento. Em outubro de 2023, o espetáculo participou do Festival Internacional de Teatro de Wuzhen, na China, ao lado de importantes figuras do teatro mundial, como Robert Wilson e Joël Pommerat. No segundo semestre de 2024, fez uma turnê que incluía Vladivostok (Rússia), Pequim, Xangai e Foshan (China).

SOBRE A ARMAZÉM CIA DE TEATRO: 
No fim de 2024, a Armazém Companhia de Teatro completou 37 anos de atividades ininterruptas. Com mais de 50 prêmios nacionais no currículo, a companhia também foi premiada duas vezes no Festival Fringe de Edimburgo (na Escócia), com o prestigiado Fringe First Award (2013 e 2014) e no Festival Off de Avignon (na França), com o Coup de Couer de la Presse d’Avignon (2014).

A Armazém Companhia de Teatro foi formada em 1987, em Londrina, em meio à efervescência cultural vivida pela cidade paranaense na década de 80 – de onde saíram nomes importantes no teatro, na música e na poesia. Liderados pelo diretor Paulo de Moraes, o senso de ousadia daqueles jovens buscando seu lugar no palco impregnaria para sempre os passos do grupo: a necessidade de selar um jogo com o seu espectador, a imersão num mundo paralelo, recriado sobretudo pela ação do corpo, da palavra, do tempo e do espaço.

Com sede no Rio de Janeiro desde 1998, a companhia celebra agora 35 anos de sua formação. Sempre baseando seus espetáculos em pesquisas temáticas (com a criação de uma dramaturgia própria com ênfase nas relações do tempo narrativo) e formais (que se refletem na utilização do espaço, na construção da cenografia, ou nas técnicas utilizadas pelos atores para conviver com o risco de encenar em cima de um telhado, atravessando uma fina trave de madeira ou imersos na água), a questão determinante para a companhia segue sendo a arte do ator. Busca-se para o ator uma dinâmica de corpo, voz e pensamento que dê conta das múltiplas questões que seus espetáculos propõem. E a encenação caminha no mesmo sentido, já que é o corpo total do ator que a determina.

Apesar da construção de espetáculos tão díspares e complementares como A Ratoeira é o Gato (1993), Alice Através do Espelho (1999), Toda Nudez Será Castigada (2005), O Dia em que Sam Morreu (2014), Hamlet (2017) e Angels in America (2019), a Armazém Companhia de Teatro segue sua trajetória sempre investindo numa linguagem fragmentada, que ordene o movimento do mundo a partir de uma lógica interna. Essa lógica interna é a voz da Armazém, talvez a grande protagonista do mundo representacional da companhia.

FICHA TÉCNICA

Direção: Paulo de Moraes 
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça 
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Elenco: Sérgio Machado, Jopa Moraes, Bruno Lourenço, Isabel Pacheco, Felipe Bustamante e Aline Deluna
Músico em cena: Ricco Viana ou Rafael Tavares
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes 
Iluminação: Maneco Quinderé 
Figurinos: Carol Lobato 
Direção Musical: Ricco Vianna 
Preparação Corporal: Patrícia Selonk e Paulo Mantuano 
Colaboração na Dramaturgia: Paulo de Moraes 
Designer Gráfico: Jopa Moraes 
Fotografias: Mauro Kury
Cabeça do Hipopótamo: Alex Grilli 
Assessoria de Imprensa: Ney Motta 
Direção de Produção: Patrícia Selonk
Produção: Armazém Companhia de Teatro

Foto desta notícia: Bianca Aun/ MTC

SERVIÇO
BRÁS CUBAS
8/5/2026, sexta-feira, às 20h
Ingressos: R$ 50 (inteira)
Classificação: 14 anos
Duração: 110 minutos
Local: Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas – rua da Bahia 2.244 – Lourdes
Vendas: Sympla ou bilheteria do Teatro
Bilheteria: (031) 3516.1360