“O Minas é a minha casa, a minha história. Foram muitos anos vendo, da piscina, o sol nascer e se pôr. Por isso, ele significa muito para mim.”
Teo Larbone
53 anos, administrador de empresas e ex-atleta
Aos sete anos, eu era o pior aluno da natação. Não havia talento que aparecesse na água, e minha relação com a piscina passava longe de ser um amor. Minha mãe, porém, tinha uma determinação maior que a minha resistência. Dizia que eu aprenderia a nadar, gostando ou não. Sem saber, ela estava abrindo a porta para o caminho que transformaria toda a minha vida.
Aos nove anos, enfrentei um grave problema de saúde que quase resultou na amputação da minha perna. Foi nesse momento que a piscina deixou de ser uma obrigação e se tornou esperança. A água passou a ser parte da minha recuperação, e o Minas Tênis Clube, o lugar onde reaprendi a acreditar no meu próprio corpo e na minha capacidade de seguir em frente.
O Minas foi a maior escola que tive. Entre treinadores, companheiros e uma equipe extremamente preparada, fui deixando de ser aquele menino que mal conseguia nadar para me tornar um atleta. Vesti a camisa do Clube, bati dois recordes mundiais, o primeiro em 1993, e conquistei praticamente todas as medalhas da modalidade. Meu pai, um homem de poucas palavras, sempre me incentivava a ir um pouco além. E eu fui.
Mas a medalha olímpica não chegou como atleta; ela encontrou outro caminho. Depois de encerrar minha carreira, fui gerente de natação do Minas durante 12 anos. Em 2017, no ciclo para Tóquio, duas medalhas olímpicas foram conquistadas por atletas do Clube. Um deles mandou fazer réplicas para toda a comissão técnica. Quando recebi a minha, compreendi que alguns sonhos não pertencem apenas a quem sobe ao pódio, mas também a quem ajuda a construir cada braçada até ele.
Dessa compreensão nasceu o desejo de devolver à sociedade tudo o que a natação me trouxe. Assim, surgiu o Alfabetização Aquática, projeto que atende crianças em situação de vulnerabilidade e ensina a nadar com um propósito simples e imenso: salvar vidas.
O Minas é a minha casa, a minha história. Foram muitos anos vendo, da piscina, o sol nascer e se pôr. Por isso, ele significa muito para mim. Hoje, sigo cuidando da minha saúde no Minas II, participo das atividades coletivas e vivo uma emoção diferente ao ver meu filho, Lucca, competir pela mesma equipe que marcou a minha história.
Nestes 90 anos, desejo que o Clube continue sendo esse lugar onde convivência, esporte e afeto se encontram para transformar vidas e formar cidadãos melhores. Que siga abrindo portas, despertando sonhos e ensinando, a cada nova geração, que sempre existe uma braçada a mais a ser dada. Tenho orgulho de fazer parte dessa história.