“Nas férias em Belo Horizonte, aos 40 anos, descobri a equipe Master, que eu nem sabia que existia. E voltei a competir representando o time mineiro”
Vânia Mello Kraus
62 anos, professora de vôlei
Tínhamos 15 anos e, quando vencíamos um campeonato, o ritual era sempre o mesmo: tirávamos o tênis, soltávamos a joelheira e, como quem mergulha na própria felicidade, corríamos para a piscina. A água recebia nossa alegria depois de uma batalha. Aí vinham as risadas no restaurante, onde o Minas Júnior – bife, arroz e ovo – tinha o sabor de uma pequena eternidade. Hoje, aos 62 anos, ainda sinto esse gosto. É a marca de um carinho que o Minas Tênis Clube deixou na minha história.
Cruzei esses portões aos 10 anos, guiada pelo olhar do meu pai, que era sócio, e pelas mãos da minha mãe, que jogava vôlei. Comecei na piscina, mas foi nas quadras que encontrei meu destino. Com Yara Ribas, dei os primeiros passos nessa caminhada. O Minas vencia tudo, e sempre voltávamos à piscina para comemorar. Depois, claro, vinha o Minas Júnior.
Aos 16 anos, vesti pela primeira vez a camisa da Seleção Brasileira e joguei o Sul-americano. Ali começou minha carreira profissional. Permaneci no Minas até os 21, dividindo treinos e viagens com o curso de Educação Física na UFMG. Mais tarde, a vida me levou para São Paulo, para a Seleção Brasileira adulta, para Blumenau, Santos e, finalmente, para Ribeirão Preto, cidade onde finquei raízes.
Vieram os filhos, veio o tempo e veio também uma nova forma de continuar no esporte: virei técnica. Mas o Minas, esse capítulo que nunca fecha, ainda guardava uma surpresa para mim. Nas férias em Belo Horizonte, aos 40 anos, descobri a equipe Master, que eu nem sabia que existia. E voltei a competir representando o time mineiro.
O Minas é um ícone de Belo Horizonte, uma potência no coração da cidade. Um lugar onde as famílias encontram confiança, segurança, cultura, esporte, futuro. Um clube que oferece oportunidades de lazer, cultura e esporte.
Desejo que venham mais 90 anos de boa gestão, ideias generosas e corações abertos. O Minas se tornou uma instituição moderna, bem conduzida, sem perder a tradição que o fez grande. E eu sigo aqui, com a mesma emoção de menina, dizendo o que sempre senti: essa camisa eu visto com orgulho.