“Minha avó guarda um carinho imenso pelo Minas, e esse sentimento atravessa filhos e netos.”

Ana Luisa Verdade Lenzoni

20 anos, estudante

Gosto de ouvir as histórias da minha avó, Elza Maria Magalhães de Drummond, hoje com 85 anos, sobre o Minas Tênis Clube. Em cada lembrança, o Clube aparece como cenário vivo da sua juventude, um lugar onde sonhos encontravam espaço para acontecer. Uma das histórias que mais me encanta é a de quando ela se apresentou como artista no salão jovem do Minas, com a exposição de suas tapeçarias.

A curadoria foi de Palhano Júnior, amigo querido dela. Ela guarda esse tempo com afeto e gratidão. Havia pouco apoio, mas houve amigos que acreditaram em sua arte. Guardamos até hoje os recortes de jornais que anunciaram aquela exposição, pequenas relíquias que preservam a alegria dessas memórias.

Moro em Brasília, mas carrego comigo um orgulho profundo da trajetória da minha avó. Ouvir suas histórias é compreender que, mesmo quando a arte não encontrava apoio dentro de casa, ela persistiu. Seguiu adiante com coragem, fazendo quase tudo sozinha, sustentada pela amizade e pela convicção de que criar também era um modo de existir.

Vovó morava ao lado do Minas, perto de onde vivia o próprio Palhano. O Clube, segundo ela, era seu quintal. Ia e voltava a pé, praticamente todos os dias. Ali, nadava, enquanto o irmão jogava basquete. O Minas era visto como um espaço elegante, símbolo da sociedade mineira, e a exposição de seus tapetes permanece como a memória mais luminosa dessa relação.

Há ainda as lembranças da hora dançante, nos horários de almoço. Gosto de ouvi-la contar o quanto dançou e se divertiu em uma época de poucas liberdades para as moças. Ela fala dos maiôs, dos gestos contidos, da inocência de um tempo em que a vida parecia mais simples e leve. Para ela, a vida era boa e feliz.

Minha avó guarda um carinho imenso pelo Minas, e esse sentimento atravessa filhos e netos. Nesses 90 anos, desejo que o Clube siga vivo na memória de tantas famílias, como um lugar onde afeto, arte e histórias continuam sendo passados adiante, de geração em geração.